Conceito
O Núcleo de Estudos PauBrasil nasceu com a clara intenção de preencher um vazio na construção da formação do educador brasileiro e também na educação oferecida pelas instituições de ensino, com tantas necessidades a serem supridas em função das demandas de uma sociedade pós-moderna.
Hoje, mostram-se muito reais as ausências na construção dos caminhos dos sujeitos envolvidos no processo educacional, estes que se propõem a participar na formação de sujeitos - pessoas completas e complexas, tão iguais e tão diferentes – que estão e continuarão atuando no cenário histórico e cultural deste país e deste planeta por um longo tempo.

"A educação, qualquer que seja o nível em que se dê, se fará tão mais verdadeira quanto mais estimule o desenvolvimento desta necessidade radical dos seres humanos, a de sua expressividade.” 1

Muito mais do que construir um cabedal de saberes específicos, é preciso querer saber o educando, querer saber o mundo, querer saber os novos saberes e os saberes mais antigos, querer saber refletir, querer saber construir saberes e, talvez mais importante ainda, saber por que quer saber tudo isso.
Menos com o intuito de responder aos questionamentos e mais com a intenção de colaborar na formulação das questões, o Núcleo de Estudos PauBrasil chega com o objetivo de “ferramentalizar “o educador e a instituição na busca de sentidos, objetivando consolidar uma prática consciente e comprometida, provocando a necessidade do encontro, da interação e do aprimoramento.
Um dos caminhos que propomos e consideramos de enorme importância nos dias de hoje é a interseção entre a Educação, a Cultura e a Comunicação. Nas palavras de Edgard de Assis Carvalho.

“Em tempos líquidos de hoje, precisamos de um novo sujeito do conhecimento que reconheça o papel das tecnologias do infinitesimal, mas admita a força propulsora e antecipatória das múltiplas criações do imaginário. Se fosse possível traduzir esse metaponto de vista numa planilha de valores universais, poderíamos assumir a conservação no lugar da destruição, a cooperação no lugar da competição, a partilha no lugar da concentração, a inclusão no lugar da exclusão, a solidariedade no lugar da xenofobia, a sustentabilidade ecológica no lugar do desenvolvimento tecnológico predatório, a paz no lugar da guerra.” 2

Sabemos o quanto a realidade educacional brasileira é difusa e desanimadora, assim como os caminhos delineados por ela parecem não chegar a parte alguma. Desta maneira, surge, então, a nossa primeira intenção: colaborar com a modificação positiva deste quadro, religando conceitos tão próximos e tão isolados historicamente: Educação e Cultura.
Para que isso seja possível, não podemos deixar de olhar para a nossa realidade, para o contexto atual em que a educação está inserida; em que estamos todos inseridos. Hoje instaura-se uma vida pós-moderna, líquida, instável, carregada de intensas modificações e “obsoletividade” rápida; uma vida agitada e difusa. O mar virtual por onde navegamos hoje nos traz a sensação de conquista e, ao mesmo tempo, de desinteresse, pois se mostra vazio de mistérios. A abrangência absoluta de informações não permite que nos encontremos realmente, não permite que nos identifiquemos com nossos pares, com nosso lugar, com nosso mundo, evidenciando um estado de estranhamento, de falta de sentido, de “desidentidade”. Assim, a intenção é revitalizar valores que parecem desatualizados ou esquecidos e direcionar o nosso olhar para o novo, ao mesmo tempo. Estes valores educacionais visam colaborar com a localização do educador bem como de seus objetivos e do sentido de sua prática, resgatando seus ideais, suas utopias, sua reflexão, sua crítica, suas posições, suas intenções e o seu eu. Nosso objetivo é provocar este educador, hoje tão desalinhado com suas motivações primeiras, com seus objetivos básicos, com sua práxis.

“A partir das relações do homem com a realidade, resultantes de estar com ela e estar nela, pelos atos de criação, recriação e decisão, vai ele dinamizando o seu mundo. Vai dominando a realidade. Vai humanizando-a. Vai acrescentando a ela algo que ele mesmo é o fazedor. Vai temporalizando os espaços geográficos. Faz cultura.” 3

Outra aspiração do movimento modernista que hoje trazemos para enriquecer as bases do Núcleo é a criação de uma “arte nacional”. Da mesma maneira, intentamos trazer à baila reflexões relativas à criação de uma educação nacional; uma educação que faça um profundo sentido para os educandos, para os educadores brasileiros e para as instituições de ensino; que seja uma educação pertinente à nossa realidade e que, sobretudo, colabore de maneira consciente para o resgate da identidade nacional; que leve todos os atores envolvidos com a educação a sentirem-se brasileiros e, por isso, desejarem comprometer-se com um projeto educacional contextualizado, sustentável e transdisciplinar; que possam lidar de maneira criativa e, ao mesmo tempo, crítica, com nossos problemas reais.
A essência do movimento antropofágico, nascido dentro do modernismo, é a transdisciplinaridade e a complexidade das ideias, construções tão atuais do conhecimento e tão significativas. A antropofagia modernista envolve seleção, digestão, deglutição de pedaços especiais, selecionados com critérios rígidos de qualidade. Da mesma forma, pensamos a “reformação” do educador e da Educação que precisa posicionar-se constantemente em busca das melhores partes do saber, das melhores ideias, do melhor pensamento, do que melhor se constrói. Nada disso nos parece difícil quando pensamos que a formação cultural do Brasil acontece na mistura, nas múltiplas e variadas referências que, somando-se, constroem uma nova identidade, um novo lugar de pertencimento. “É da subjetividade antropofágica em seu vetor mais ativo, a voz do Brasil que se ouve no debate contemporâneo que se agita em torno da crise da identidade. Como se os brasileiros fossem desde sempre este “povo de sangue misto e bastardo que está se constituindo agora por toda Terra”, e por isso trouxessem para esta conversa globalizada um know how para navegar por este oceano infinito, agitado por ondas turbilhonares de uma profusão variável de fluxos de que é feito o mundo hoje.”

“O modo complexo de pensar não é útil apenas para os problemas organizacionais, sociais e políticos. O pensamento que enfrenta a incerteza pode ensinar as estratégias para o nosso mundo incerto. O pensamento que reúne, ensina uma ética de aliança ou da solidariedade. O pensamento da complexidade possui, igualmente, seus prolongamentos existenciais, postulando a compreensão entre os humanos.” 4

1 FREIRE, Paulo – “Ação Cultural Para a Liberdade e Outros Escritos” – Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2011 – pág. 33
2 CARVALHO, Edgard de Assis – “Religação dos Saberes e Educação do Futuro”, in COELHO, Teixeira (org.) – Cultura e Educação – São Paulo: Iluminuras: Itaú Cultural, 2011 – Pág. 30
3 FREIRE, Paulo – “Educação como Prática da Liberdade” – Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982 – pág. 43
4 MORIN, Edgar – “A Necessidade de um Pensamento Complexo” in: MENDES, Cândido (org.) – “Representação e Complexidade” – Rio de Janeiro: Garamond, 2003 – Pág. 77


EDUCOMUNICAÇÃO

A sociedade hoje é caracterizada por constantes transformações e as novas tecnologias colaboram, e muito, para isso. Somos confrontados o tempo todo por multiperspectivas e multiabordagens; os conceitos de tempo e espaço que permearam a nossa formação, foram hoje ressignificados. Em função de tantas mudanças sociais, não seria mais possível o não estabelecimento de um diálogo mais engajado entre Educação e Comunicação. Esta “conversa”, então, acaba por abrir um novo campo de saber teórico: a Educomunicação. Instaurar a voz e a vez dos sujeitos envolvidos em seu processo, bem como possibilitar uma visão crítica e a tomada de consciência do sujeito ativo, são objetivos gerais da Educomunicação, além de se estabelecer como ferramenta que propõe a busca da qualidade pedagógica e comunicativa, numa relação que pretende instaurar novos significados e novos espaços para o processo educativo. A Educomunicação compromete-se com a formação do educando e do educador.

CONSTRUTIVISMO

O nome Construtivismo passou a designar uma linha pedagógica inspirada na obra de Jean Piaget, que atribui um papel ativo ao indivíduo. O desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações mútuas entre o indivíduo e o meio. Piaget sugere, implicitamente, mudar radicalmente a pedagogia: em vez de fazer dela uma "facilitação", transformar a educação num desafio. A missão do educador é propor situações que estimulem a capacidade desequilibradora do educando - ninguém educa ninguém: é o próprio aluno que se educa – assim já dizia Paulo Freire. Para Piaget, o fulcro do desenvolvimento mental é a socialização, pois a relação humana é, fundamentalmente, conflitual: chegar a um acordo – democracia – é a majorância máxima. A inteligência é, fundamentalmente, um processo de produzir novas combinações: criatividade.

“Ensinar a criatividade” é, simplesmente, propor o exercício combinatório. “O compromisso da Escola deve ser o de construir o novo, superando o arcaico, e não o de repetir, interminavelmente, o antigo.” Fernando Becker – O que é Construtivismo?

INTERDISCIPLINARIDADE

Num mundo globalizado e multidimensional, como o que estamos vivendo agora, torna-se imprescindível a educação que leve o sujeito a construir habilidades para a percepção de relações e conexões entre os saberes. A Educação hoje deve valorizar a capacidade de contextualizar, de compreender, de refletir e de agir, em função de problemas tão complexos com os quais temos que lidar a cada dia.

“Há inadequação cada vez mais ampla, profunda e grave entre os saberes separados, fragmentados, compartimentados entre disciplinas, e, por outro lado, realidades ou problemas cada vez mais polidisciplinares, transversais, multidimensionais, transnacionais, globais, planetários... Uma inteligência incapaz de perceber o contexto e o complexo planetário fica cega, inconsciente e irresponsável.” Edgar Morin – A Cabeça Bem Feita

EDUCAÇÃO E CULTURA

Educação e Cultura são conceitos tão próximos e, ao mesmo tempo, tão afastados no contexto social em que vivemos. Atualmente, educadores e pensadores preocupados com o sistema educacional de nosso país acreditam que um bom caminho para entender e atuar neste cenário é a criação de um espaço de interseção que envolva os campos da Educação, da Cultura e da Comunicação. O mundo dos negócios, as empresas e mesmo as boas universidades apresentam grandes expectativas relacionadas à capacidade criativa e à habilidade de inovação. Ora, é indiscutível que a prática cultural e o fazer artístico funcionam como grandes potencializadores destes requisitos.

“A escola está de costas para as identidades culturais, as redes e as narrativas em que se movimentam os adolescentes que constroem comunidades físicas e virtuais. A crise da escola é ampliada pelo ensino de conhecimentos alheios à prática cotididana a aos contextos culturais dos jovens. Essa falta de conexão faz com que muitos deles não entendam nem deem valor ao que recebem na escola.” Lucina Jiménez – Cultura e Educação

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